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Paleta de Sabores: quando o café vira uma bússola para a gastronomia

Recentemente vivi uma experiência daquelas que fazem a gente enxergar o café com outros olhos. Tive a oportunidade de atuar como auxiliar de instrutor no curso Paleta de Sabores, conduzido por KJ Yeung, no Sítio do Lago, em Amparo, em uma iniciativa promovida pelo Sindicato Rural de Amparo.

A proposta era diferente e, ao mesmo tempo, fascinante: usar a análise sensorial do café especial como uma régua para decifrar outros produtos.

Durante o curso, usamos o café como nossa bússola sensorial para experimentar e compreender chocolates, queijos, vinhos e cachaças. A ideia era perceber aromas, sabores, acidez, corpo, doçura e finalização, entendendo como cada produto expressa sua própria identidade.

E foi justamente aí que surgiu uma das grandes lições do curso: qualidade não é sorte, é processo.

Do terroir à maturação, cada etapa deixa uma marca no produto final. Assim como acontece com o café, um bom chocolate depende da origem e da qualidade do cacau; um queijo carrega características do leite, do território e da maturação; o vinho expressa a uva, o solo e o clima; e a cachaça revela as escolhas feitas desde a cana até o envelhecimento.

Tivemos ainda a oportunidade de receber grandes representantes da produção regional, que apresentaram seus produtos e compartilharam suas histórias.

Matheus Rossi, do Laticínios Rossi; Viviane Baldin, da Cachaça da Torre; Maria Lídia, da Vinícola Carmela; Viviane Leal, da OCAN Chocolate Bean to Bar; e Francisco Thomé, da Queijaria Mogiana, trouxeram para a mesa a diversidade e a qualidade que existem dentro do nosso território.

Mais do que provar produtos, nós aprendemos a enxergar o trabalho que existe por trás de cada sabor.

Para mim, como O Amante do Café, foi uma experiência especialmente importante. Pude perceber, na prática, que a metodologia sensorial que usamos para compreender o café também pode ser uma ferramenta poderosa para valorizar toda a gastronomia.

E o mais bonito foi perceber que essa experiência aconteceu aqui, em Amparo, dentro do Circuito das Águas Paulista.

Temos produtores, transformadores e empreendedores capazes de entregar produtos de altíssimo nível. Precisamos cada vez mais criar pontes entre eles, aproximar o consumidor e ensinar as pessoas a provar com mais atenção.

O café foi nossa bússola, mas o destino foi muito maior: valorizar o território e enaltecer aquilo que é produzido aqui.

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